Cristianismo e Covid-19 na China

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Por Raquel Villela

Na China, origem do novo coronavírus, tem havido visões, curas milagrosas de pessoas infectadas, um interesse inusitado de não crentes por igrejas, orações e material evangelísticos, e cristãos nominais buscando profundidade na vida cristã. Um dos veículos de comunicação cristã que tem divulgado tais fatos é a Charisma Magazine (https://charismamag.com/). Seu fundador, Steve Strang, entrevistou o Pr. Frank Amedia, do ministério Pouts Shield, dos Estados Unidos. O Pr. Amedia disse que “temos tido relatos de cristãos curados deste vírus pelo poder de Deus. […] Famílias inteiras se rendem a Cristo; médicos e até autoridades entregam suas vidas a Jesus. Há um reavivamento em meio à desesperança.” Acrescentou que “nos disseram que as pessoas estão vindo em multidões para as igrejas, porque há evangelismo nas ruas, de pessoa a pessoa”.

A Charisma Magazine divulgou também um artigo do Pr. Dennis Balcombe, missionário há mais de 40 anos na China, autor de livros sobre missões naquele país e fundador do Revival Chinese Ministries International e da igreja Revival Cristhian Church (RCC), que pastoreia. Ele conta que “tem havido muitas reuniões de oração em toda a cidade nas quais cristãos de todos os grupos e diferentes denominações se reúnem para orar e adorar, resultando assim em mais unidade […].muitos cristãos e igrejas locais estão usando isso como uma oportunidade para ajudar muitos na sociedade em pânico, e para compartilhar Cristo”. Sobre cultos virtuais, disse que “houve um recorde de mais de 1.900 pessoas que assistiram ao vivo pelo Facebook.”

100 milhões de cristãos

Acredita-se que existam 100 milhões de cristãos na China atualmente; em 1980 eram 10 milhões. É o país mais populoso da terra, com 1,4 bilhão de habitantes (ONU, 2018), dos quais 18,2% de budistas, 5,1% de cristãos, 1,8% de muçulmanos, 21,9% que professam crenças populares, e 52,2% sem filiação (Index Mundi, 2019). Em território chinês vivem 444 povos não alcançados pelo evangelho (Joshua Project, 2019). A China é governada pelo Partido Comunista desde 1949 e o presidente é Xi Jiping.

Costuma-se dizer que “Wuhan é o ventre que deu à luz a China moderna”, por ter abrigado a oposição que resultou na implantação do comunismo. Wuhan, a cidade que pela primeira vez detectou o Covid-19, fica no lado asiático (ou oriental) da Janela 10/40, região situada entre os paralelos 10 e 40 Norte. É mais conhecida pela comunidade cristã pelo que ocorre em seu lado ocidental, que inclui boa parte do mundo árabe e de onde se tem relatos constantes de sonhos e revelações sobrenaturais de Jesus a não crentes. É a região que concentra a maioria dos povos ainda não alcançados pelo evangelho e dos países onde há forte perseguição religiosa.

Perseguição religiosa

O cristianismo avança em ambiente hostil na China, que ocupa o 23º lugar na Lista Mundial de Perseguição da organização Portas Abertas. Oficialmente, o país garante a liberdade religiosa, expressa no artigo 36 de sua Constituição, mas o Relatório 2020 da Human Rights Watch revela que “o governo restringe a prática religiosa a cinco religiões oficialmente reconhecidas em instalações oficialmente aprovadas. As autoridades mantêm o controle sobre as nomeações de funcionários das instituições religiosas, publicações, finanças e candidaturas a seminários. O governo classifica muitos grupos religiosos fora de seu controle como ‘cultos do mal’, e sujeita seus membros a perseguição policial, tortura, detenção arbitrária e prisão”. O Relatório registra ainda que “em um discurso em março [de 2018], Xu Xiaohong, o oficial que supervisiona as igrejas cristãs sancionadas pelo estado, demandou às igrejas que extirpassem a influência ocidental e ‘sinicizassem’ [sinicizar = dar caráter chinês] ainda mais a religião. Em setembro, uma igreja sancionada pelo Estado na província de Henan foi ordenada a substituir os Dez Mandamentos por citações do presidente Xi”.

Regulamento das atividades religiosas

O Regulamento de Assuntos Religiosos da China, proposto em junho de 2017 e aplicado em fevereiro de 2018, definiu medidas como a proibição a menores de 18 anos de frequentarem os cultos e a proibição de pregar sobre Gênesis e Apocalipse por contrariarem teorias e princípios defendidos pelo governo. Em 2019, foram demolidas, desativadas ou confiscadas as construções consideradas irregulares para atividades religiosas, que resultou na inativação de 5.500 igrejas.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, “não se trata apenas de gerir o comportamento. Um dos objetivos de um plano de trabalho do governo para ‘promover o cristianismo chinês’ entre 2018 e 2022 é a ‘reforma do pensamento’. O plano prevê ‘retraduzir e fazer anotações’ na Bíblia, encontrar semelhanças com o socialismo e estabelecer uma ‘compreensão correta’ do texto”. Novas resoluções entraram em vigor em fevereiro de 2020, quando o governo editou as “Medidas de Controle para Grupos Religiosos”, com seis capítulos e 41 artigos, reforçando posições anteriores. Em seu artigo 17 determina que “as organizações religiosas devem difundir os princípios e políticas do Partido Comunista Chinês”.

Oremos para que o Evangelho seja anunciado em toda a China, sejam quais forem as circunstâncias.

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